Experiência de Sucesso com a Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana e os Projetos de Aprendizagem em Mato Grosso.
Contextualizando os Ciclos:
Segundo o Dicionário Aurélio Ciclos correspondem a “... Uma série de fenômenos que se repetem numa ordem determinada”. Neste sentido a palavra “Ciclos a priori nos remete a idéia de naturalismo ou a processos que naturalmente se completam, etapas que se cumprem, círculos que se fecham”.
Ao voltarmos nossa atenção para a Organização Escolar por Ciclos de Formação Humana nos vem à mente então algumas questões como:
A que Ciclos estamos nos referindo? Ciclos de que? Ciclos de aprendizagem? Ciclos de vida?
Para Perrenoud (2004) “Um ciclo de aprendizagem é um ciclo de estudos no qual não há reprovação”. Neste sentido, surge a seguinte questão: Será que esta “Organização Escolar”, objetiva apenas a não reprovação dos alunos, nos levando a refletir então como ficaria o compromisso do professor com a aprendizagem dos alunos? Será que o compromisso com a aprendizagem dos alunos está diretamente ligado unicamente à forma de organização do ensino? Neste sentido a questão levantada é será que apenas mudando a forma de organização do ensino perde-se o compromisso do profissional de educação com a aprendizagem dos alunos?
Esta concepção limita a visão da Organização Escolar meramente a uma solução pedagógica com o fim de solucionar alguns problemas enfrentados pelas instituições escolares como, autos índices de evasão e reprovação. Causando também aos profissionais da educação básica certa resistência, pois ao observá-la com o olhar do senso comum argumentariam que o objetivo da Organização Escolar por Ciclos seria apenas a de evitar a reprovação enviando os alunos para os anos escolares seguintes em respeito às fases do desenvolvimento humano, sem o compromisso com sua aprendizagem.
Porém um olhar mais atento a esta forma de Organização escolar, apontam outras finalidades para a mudança na organização escolar como diz Freitas (2003)fundamentando-se no educador russo do século XX PistraK que viveu entre os anos de 1888 a 1940 autor também muito citado por Krug, (2001) “Relembra-nos que a Organização por Ciclos viabiliza o respeito ao desenvolvimento humano, porém possibilita também o desenvolvimento social de formação do indivíduo”.
Sendo assim a organização por Ciclos não será meramente uma solução pedagógica para sanar problemas de ordem estrutural, ou seja, combater a evasão e a repetência. Mais principalmente uma Organização Escolar que possibilita o desenvolvimento de novas relações sociais onde os tempos e os espaços escolares são colocados a serviço de novas relações de poder entre estudantes e professores.
Possibilitando então uma nova visão de mundo e de sociedade. Desta forma a escola pública constituída por séries com fins e princípios ligados apenas a aquisição de conhecimento de conteúdos descontextualizados da realidade sócio-cultural e histórica do aprendiz passa a dar lugar a uma Organização Escolar com princípios orientados pelo respeito ao ser humano e as relações sociais solidárias.
E neste sentido a pergunta que fazemos então é quem será beneficiado com a Organização Escolar por Ciclos?
Serão todos aqueles que direta ou indiretamente estejam envolvidos neste processo, ou seja, toda a comunidade escolar, principalmente os alunos, pois nesta forma de Organização todos os envolvidos no processo passam a ter voz, este é o principio da Democracia, ou seja, a escola que em sua gênese fora firmada sobre princípios de Educação para poucos com concepções do Taylorismo/Fordismo, princípio educativo dominante até a década de 80 voltadas apenas para a educação em série para fins industriais, e mercantilistas com foco apenas no crescimento econômico, cujos selecionados para esta organização seriam os de classes econômicas privilegiadas; Escola Tradicional passa a dar lugar a uma organização escolar com novas concepções voltados para os aspectos humanos, como o fortalecimento intelectual e social das classes populares bem como a possibilidade de que a educação seja assegurada a todos não só em quantidade mais principalmente em qualidade.
E neste respeito se atentarmos para as Concepções Pedagógicas que embasaram a Organização da Escola por Ciclos de Formação Humana nos reportaremos a importância ao respeito às fases de desenvolvimento humano da criança e do adolescente descritas por Piaget dentro da epistemologia genética que fundamentou o construtivismo, também ao sócio-interacionismo no qual Vygostky afirma que a construção sócio histórica e cultural são bases para a formação humana tendo em vista que são nas relações entre os pares que acontece a construção do conhecimento, consideraremos também a visão de Ausubel, que indica que a construção do conhecimento demanda aprendizagem significativa, neste sentido a construção do conhecimento se dará a partir de um levantamento de conhecimentos prévios como base para o desenvolvimento do conhecimento científico,
Observamos então que é esta a proposta da Educação com a Organização por Ciclos de Formação Humana não podemos desconsiderar também a visão de educação do professor Paulo Freire que claramente demonstra em suas obras que o principal sentido de educação perpassam valores de liberdade autonomia e esperança.
Neste sentido as mudanças de uma Escola Organizada por Séries para uma Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana demandarão reformulações Curriculares, ou seja, mudanças metodológicas na forma de planejar e avaliar, tendo em vista que um currículo rígido pré-elaborado por gestores e professores deverá dar lugar a um currículo flexível e contextualizado com a comunidade a qual serve, permitindo que o principal interessado o educando também participe de sua elaboração e implementação considerando que um currículo para Formação Humana introduz sempre novos conhecimentos relacionados a vivência do aluno, às realidades regionais e cotidianas dos mesmos. Desta forma os educandos são constituintes da docência, das funções da escola e da formação curricular e por elas são constituídos. Sendo assim uma postura crítica sobre o currículo de cada instituição escolar se faz necessário.
Sabendo também que o currículo da escola seriada organizado de forma fragmentada cujas disciplinas aparecem de forma compartimentada, fragmentada ou em gavetas que não se entrecruzam, dará lugar a um currículo interdisciplinar que considera a organização dos esquemas cerebrais, que se apresentam de forma interdisciplinar, levando em conta que o cérebro humano organiza-se de forma interdisciplinares sendo assim as ações dos envolvidos no processo ensino aprendizagem também acontecem de forma interdisciplinar entendendo assim que o conhecimento só será significativo se construído de forma interdisciplinar, isso se confirma com as palavras de Fazenda (1993) que argumenta: “[...] A interdisciplinaridade depende então, basicamente, de uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento, da substituição de uma concepção fragmentária do ser humano”.
Sendo assim o Currículo interdisciplinar não se prende mais no “que” se transmite, mas no “como” se constrói o conhecimento. Ao adotar a interdisciplinaridade curricular não significará o abandono das disciplinas, mas a articulação entre elas com o propósito de articular mundo real e hipotético interação social, cultural e natural, com fins de que a aprendizagem possibilite ao educando se integrar na sociedade de modo ativo interagindo e interferindo sobre ela. Nesta visão o protagonista da aprendizagem passa a ser o aprendiz que interagindo com os demais atores do processo alcançarão os objetivos por eles propostos.
Quando nosso olhar se volta para o mundo exterior percebemos que os objetos e as ações humanas demandam um olhar interdisciplinar, como por exemplo: como foram construídas as tecnologias? Certamente concluiremos que da união ou inter-relação de vários conhecimentos. E se voltarmos o nosso olhar aos problemas ambientais, que demandam conhecimentos interdisciplinares para possíveis soluções. Entendendo também que as demandas do cotidiano, exigem constantespesquisas interdisciplinares, a escola deverá ser este lugar, não da fragmentação da aprendizagem, do ensino sem significado, mais sim lugar das inter-relações viabilizadas por um currículo interdisciplinar.
Outra questão relevante, e que não nos aprofundaremos agora é a necessidade de se lançarem novos olhares a avaliação, qual o seu papel na Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana? Certamente não será mais o de classificar, excluir, medir etc. Mais sim o de oferecer pistas para professores e alunos de como deverão ser alinhados os trabalhos na escola. Entendendo que não só o aluno deverá ser avaliado mais todo o processo pedagógico bem como todas as ações ali estabelecidas deverão ser avaliadas. No caso especifico da avaliação feita pelo professor deverá estar centrada na aprendizagem no que o aluno já conseguiu construir em termos de aprendizagem significativa bem como no re-planejamento dos objetivos e atividades didáticas, considerando a avaliação como processo metodológico desconstruindo a dicotomia metodologia-avaliação e favorecendo as relações entre alunos/alunos e entre esses e os professores, neste sentido uma avaliação diagnóstica, processual e formativa alcançarão os resultados esperados segundo Pereira (2009).
Algumas Reflexões sobre a Organização por Ciclos no Estado de Mato Grosso
Embora saibamos que a Organização Escolar por Ciclos no exterior e no Brasil antecede a década de 90, no Estado de Mato Grosso isto acontece mais contundentemente com o projeto Terra em 1996 e com a experimentação dos CBAs (Ciclo Básico de Alfabetização) no Mato Grosso a partir 1998 começando assim a escalada de construção de uma nova perspectiva educacional para o ensino e neste sentido com a intensificação destes estudos os profissionais da educação empenharam-se no sentido de viabilizar as reformas educacionais tão necessárias desde o ano 1996, observando então que no ano de 1999 os estudos sobre os Ciclos no estado de Mato Grosso, começaram a tomar forma com a elaboração do Projeto Escola “Ciclada” (PEC), no qual houve a participação de assessorias pedagógicas de todo o Estado permitindo que deste encontro em fevereiro de 2000, encaminhassem às escolas do Estado um documento contendo orientações gerais para o trabalho nas instituições escolares intitulado "Escola Ciclada de Mato Grosso: Novos tempos e Espaços para ensinar-aprender a sentir, ser e fazer”.
Essa mudança no modo de conceber a educação pública em Mato Grosso modifica não só a organização escolar, mas a compreensão da educação em sua totalidade, pois a escola constituída sob princípios do conhecimento (seriado) gradativamente passa a dar lugar a uma escola orientada pelos princípios da sociabilidade escola (Organizada por Ciclos).
Sendo assim a organização por Ciclos passa a ser vista como possibilidade de superar a fragmentação curricular do modelo de escola seriada com o objetivo de corrigir possíveis prejuízos aos processos de aprendizagem, bem como o fortalecimento humano de cada pessoa envolvida neste processo.
No decorrer do tempo várias nomenclaturas permearam as formas de organizações escolares conforme objetivos e especialidades de cada proposta como: - Progressão Continuada; Ciclo de Alfabetização; Ciclo Básico; Ciclo de Aprendizagem e atualmente Ciclos de Formação Humana, cada mudança alcançou objetivos pré-estabelecidos, porém com o decorrer do tempo e o aprofundamento de estudos, ajustes foram sendo feitos, com o intuito de viabilizar a construção de uma escola inclusiva construída de forma coletiva democrática e humanizadora.
O grande desafio então era exatamente o de fazer emergir o novo em meio a um aparato escolar com grande poder de regulação e com princípios rígidos e contraditórios.
Com esta nova organização escolar acredita-se então na possibilidade de avançar de uma escola com longa e cruel história de fracasso e exclusão supostamente neutra, que presta serviços a alguns para uma escola que se compromete politicamente com todas as classes e camadas sociais, tornando-se bem sucedida e de natureza inclusiva conforme abaixo delineado:
De uma escola acomodada que aceita com naturalidade a deserção a não aprendizagem significativa para uma escola que cria alternativas para garantir a permanência e a aprendizagem significativa...
De uma escola que avalia para classificar, enquadrar, rotular, reter, para uma escola em que a avaliação é entendida como parte do processo de aprendizagem, e constitui-se recurso de ensino aprendizagem...
De uma escola cujo conhecimento é trabalhado de forma compartimentada, fragmentada, para uma com atuação interdisciplinar...
De uma escola que considera apenas o sujeito cognitivo para uma que considera o sujeito sócio-histórico em sua plenitude...
De uma escola que espera aprender para fazer, para uma escola em que se aprende fazendo (MATO GROSSO, 2000, p.20)
E neste sentido o empenho das escolas Estaduais de Mato Grosso desde 1996 com apenas 22 escolas Organizadas por Ciclos alcançaram sua plenitude em 2010 tendo todas as Escolas do Estado de Mato Grosso inseridas nesta Forma de Organização Escolar. Digno de nota são as experiências de sucesso nesta forma de organização escolares abaixo relatadas.
Relato de Experiência da Escola Estadual Paulo Freire Com os Ciclos de Formação Humana e a Metodologia de Aprendizagem por Projetos no município de Sinop-MT.
A Escola Estadual Paulo Freire no município de Sinop-Mt; no ano de 2003 localizada em um bairro periférico deste município foi fundada com as modalidades de Ensino Fundamental e Médio e que teve a princípio sua organização por ciclos acontecendo de forma gradativa desde 2003, sendo o primeiro ciclo completo e a “primeira fase do segundo ciclo”, com as demais turmas na organização por séries, organização um tanto complicada na época, pois trabalhar as duas modalidades ao mesmo tempo, demandava domínio de metodologias, planejamentos e avaliações bem diversos e até certo ponto contraditórios. Porém aos poucos os professores bem como os pais foram compreendendo como se dava a nova organização escolar por ciclos compreendendo através de várias reuniões e estudos no decorrer do processo à possibilidade de que aquela comunidade escolar tivesse certo grau de segurança em se desprender totalmente das séries e aderir aos ciclos.
No ínterim a escola lidava com altos índices de violência, apatia e desinteresse por parte dos alunos. A sala da direção e coordenação era lugar de se registrar inúmeras advertências e a desarmonia era notória.
Professores e demais profissionais quando designados para trabalhar nesta escola ficavam inseguros tentavam de todas as formas outra escola para trabalhar, vários rótulos eram dados a esta escola lamentavelmente, percebendo então que mudanças metodológicas eram necessárias foram sendo feitos ajustes e com esta finalidade nos anos 2004 e 2005 o trabalho dos profissionais nesta instituição voltou-se para os projetos de Ensino, porém o desinteresse e a apatia dos alunos ainda permaneciam.
Então em 2006 o CEFAPRO (Centro de Formação e Atualização de Profissionais de Educação) em pareceria com a UNEMAT (Universidade do Estado de Mato Grosso) e financiado pela FAPEMAT (Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso) apresentaram um proposta metodológica diferenciada, a essa altura a escola já tinha sua organização com os dois primeiros ciclos completos, a proposta então era trabalhar “Projetos de Aprendizagem com o uso das Tecnologias”.Proposta baseada nas experiências realizadas por FAGUNDES E MAÇADA (1999) no Rio Grande do Sul com excelentes resultados.
A escolha da escola para laboratório de pesquisa pelo TICPROJ (Formação Continuada de Professores para a Integração das tecnologias da Informação e da Comunicação aliada à Metodologia de Projetos) se deu justamente por ser uma das escolas do município que já trabalhavam com “Ciclos” e também possuir laboratório de informática, bem como um cronograma de estudos previstos para o ano em “Sala de Professor”. Então o “Projeto Sala de Professor” viabilizou os fóruns, ou seja, reuniões para planejamento e estudo, à medida que as dúvidas dos professores pesquisadores iam surgindo.
Os estudos contemplavam assuntos diversos desde a Historicidade e Implementação dos Ciclos no Estado de Mato Grosso até a utilização das tecnologias como recurso e auxilio pedagógico, tal metodologia constituía-se em um grande desafio, pois todos os envolvidos no processo precisavam compreender principalmente o que eram Projetos de Aprendizagem Interdisciplinar?
Com o decorrer do processo ficaram claras as diferenças entre Projetos de Trabalho, Projetos Pedagógicos de Ensino e Projetos de Aprendizagem, percebendo também que a Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana demandava Metodologia diferenciada e interdisciplinar e a “Aprendizagem por Projetos” viabilizaria isto, bem como possibilitaria o planejamento coletivo na escola os temas estudados em sala de Professor buscavam sanar as inúmeras dúvidas que iam surgindo no decorrer do processo, como:
- O que eram Projetos de Aprendizagem? Quais suas bases teóricas e pedagógicas e quais suas implicações na escola Organizada por Ciclos de Formação Humana?
- Como viabilizar os planejamentos interdisciplinares?
- Quais as estratégias de trabalho que viabilizariam a participação de colaboradores desde professores universitários e acadêmicos, bem como de ONGS e profissionais liberais das mais diversas áreas no desenvolvimento dos projetos?
- Como elaborar Seminários e Feiras de Conhecimento para socialização dos Projetos de Aprendizagem desenvolvidos pelos alunos e professores tanto na escola como em Universidades com o fim de socializar os resultados das pesquisas dos alunos?
- Como viabilizar o uso das tecnologias a favor das pesquisas dos alunos?Com esta finalidade como promover oficinas de blogs e de sites para professores e alunos?
- Como organizar oficinas de audiovisual para utilização de equipamentos como maquinas digitais, filmadoras, ilha de edição e demais equipamentos tecnológicos tanto para professores quanto para alunos?
- Como viabilizar os registros das atividades com auxilio da tecnologia?
- Como fortalecer o trabalho em grupo e viabilizar a transposição didática?
Estes eram apenas alguns temas estudados pelo coletivo de profissionais daquela escola.
No entanto a Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana bem como esta nova Metodologia demandava colaboração de todos então coube a Equipe Técnica da escola (re) alinhar registros, providenciando novos instrumentos pedagógicos e avaliativos com o fim de acompanhar a aprendizagem de cada aluno para tal, diversos instrumentos foram sendo elaborados, instrumentos estes já propostos pela Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana.
Outra equipe escolar chamada a se reorganizar foi à equipe de apoio, pois em uma escola que trabalha por Projetos de Aprendizagem os tempos e a organização escolar mudam, com esta finalidade estes profissionais passaram a organizar a escola de maneira que os trabalhos fluíssem nas mais diversas dependências sem que com isso a escola se tornasse um CAOS.
Quanto à equipe Pedagógica cabia dentre outras atividades a organização das reuniões em Sala de Professor, acompanhar todos os registros tanto de professores quanto de alunos à medida que as pesquisas iam acontecendo agendar e receber colaboradores, palestrantes, bem como organizar materiais adequados, (Materiais estes já previstos no PDE e demais recursos já previstos para a escola) sendo assim às pesquisas as oficinas as palestras aconteciam no decorrer de todo o ano letivo. Reestruturar a documentação pedagógica a fim de que a identidade da escola estivesse legalmente documentada e neste sentido reformular o PPP(Projeto Político Pedagógico da escola) o Projeto Sala de Professor dentre outros registros para que de fato se harmonizassem com esta nova organização escolar.Vemos então que a flexibilidade curricular é fundamental para que as transformações de fato aconteçam nas unidades escolares.
Quanto à equipe Gestora cabia dentre outras atividades a de acompanhar todo o processo e assegurar que a qualidade do Ensino fosse preservada, bem como articular tais ações junto a todas as esferas da comunidade escolar com a finalidade de beneficiá-la tanto com o desenvolvimento bem como com os resultados das pesquisas.
Nesta forma de trabalho a autonomia tanto do professor quanto do aluno é fundamental, bem como a valorização dos conhecimentos prévios de ambos. Esta valorização parte do pressuposto de que todos de alguma maneira têm muito a contribuir com as pesquisas.
O inicio do trabalho então se deu a partir de uma pesquisa sócio-antropológica com a comunidade escolar com a finalidade de identificar os interesses daquela comunidade que por sua vez apontavam para quatro eixos de pesquisa como: Cultura, Saúde, Meio-Ambiente e Tecnologia, com estes Eixos em mente foram sendo alinhados os interesses de cada turma a um assunto a ser pesquisado que serviria como ponto de referência para o planejamento Interdisciplinar de acordo com cada Ciclo e fase escolar é importante observar que os conteúdos regulares propostos para cada Ciclo estavam contemplados nos planejamentos, porém sem uma linearidade, pois tais conteúdos seriam desenvolvidos à medida que os projetos se desenvolvessem. Sendo assim alunos de 06 (seis) anos de idade em seu primeiro ano escolar já se constituíam pesquisadores e isto acontecia com os demais alunos até o Ensino Médio.
No ano de 2007 todas as turmas da escola desenvolveram pesquisas que alcançaram durante o ano mais de 42 temas pesquisados pelos alunos já no ano de 2008 com a opção de pesquisa de alguns temas comuns a mais de uma turma 34 temas foram pesquisados pelos alunos com a orientação de professores-coordenadores. No ano de 2009 muitos temas foram trabalhados, e neste ano de 2010 até o momento os professores estão em processo de escolha de temas com os alunos para o desenvolvimento de novas pesquisas. As pesquisas de anos anteriores já foram socializadas com toda comunidade escolar em Eventos diversos em Seminários nas Universidades, Feiras de Conhecimento e demais eventos promovidos pela própria escola e com parcerias denominadas “Comunidade na Escola” nestas ocasiões toda a comunidade se beneficia com apresentações culturais, orientações na área de saúde, meio-ambiente e tecnologia. Esta metodologia de fato permitiu a tão desejada interação entre toda a comunidade escolar.
Como a Aprendizagem por Projetos se instituiu na Escola Estadual Paulo Freire, seu anterior histórico de escola problema mudou para escola referencia em educação neste município. Outra vantagem desta mudança metodológica proposta pela Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana é que o protagonista da ação educativa é o aluno pesquisador, e como as pesquisas partem do interesse da maioria deles os mesmos se empenham na busca de seu crescimento intelectual e social.
Nesta escola os registros de violência e desinteresse por parte dos alunos diminuíram consideravelmente, os professores atualmente sentem prazer em trabalhar nesta instituição, pois compartilham com os alunos a responsabilidade pelos resultados da construção do conhecimento dos mesmos, existe também um clima de companheirismo e parceria nas atividades desenvolvidas na escola. Professores e alunos são constantes pesquisadores um colabora com a construção do conhecimento do outro e a autonomia de ambos é preservada. Mudanças no aspecto físico da escola são notórias agora a escola permanece mais limpa e organizada, pois os próprios alunos contribuem para isto.
Percebemos então que a Organização da Escola Por Ciclos de Formação Humana tanto na Teoria quanto na Pratica constitui-se uma construção possível.
Referências Bibliográficas:
BRASIL, Secretaria de Ensino fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais, Brasília: MEC, 1997 pg. 126
FAGUNDES, L.C., SATO, L.S. & MAÇADA, D. L. Aprendizes do futuro: as inovações começaram. Coleção Informatica para a mudança na Educação. ProInfo-MEC, 1999. Disponível em: <http://mathematikos.psico.ufrgs.br/textos.html>. Acesso em 05 Dez. 2006.
FAZENDA, I. C. A. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro, São Paulo. Edições Loyola, 1979.
FREITAS, L. C. Ciclos, seriação e avaliação. São Paulo: Editora Moderna, 2003
KRUG, A. Ciclos de formação: uma proposta transformadora. Porto Alegre: Mediação, 2001.
______________ Ciclos de Formação: Desafios da Teoria pedagógica para as praticas escolares, 2002.
MATO GROSSO, Secretaria de Estado de Educação. Escola Ciclada de Mato Grosso: Novos tempos e espaços para ensinar – aprender a sentir, ser e fazer. Cuiabá: Seduc. 2001.
PERRENOUD, P. Os ciclos de aprendizagem: um caminho para combater o fracasso escolar. Porto alegre: Artmed,2004.
[1] Licenciada em Letras, especialista em Lingüística aplicada ao ensino da Língua Portuguesa. Professora Formadora do Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica – CEFAPRO pólo de Sinop – MT.
ARTIGO - Reflexões sobre a Avaliação na Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana em Mato Grosso
Sara Cristina Gomes Pereira[1]
Percebendo que nosso estar no mundo é repleto de aprendizagens e reconhecendo que o saber cotidiano transformar-se-á em saber científico e que este processo deve ser acompanhado de avaliação contínua e entendendo também que a educação é uma forma de intervenção no mundo e que a orientação escolar deverá contemplar a totalidade dos envolvidos neste processo, a Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana no Estado de Mato Grosso, prevê novas formas de avaliação da aprendizagem não mais focada no que as instituições de ensino, os educadores e os educandos não conseguiram aprender, sobretudo naquilo que durante o desenvolvimento escolar conseguiram construir. Este texto busca fornecer reflexões a cerca de que a avaliação seja uma possibilidade metodológica de ensino e não mais uma finalidade a ser utilizada ao final dos processos escolares.
Neste sentido, Renata Cristina Cabrera em seu livro Docência e Desespero: Avaliação da Aprendizagem na Escola Ciclada em Mato Grosso, em 2006 descreve a real dificuldade dos profissionais da Educação não só em entender as diferentes possibilidades de avaliações bem como qual a prática avaliativa mais adequada à escola Ciclada no Estado de Mato Grosso. Na apresentação de seu livro Antonio Carlos Maximo diz, “... com relação às formas de avaliação a que são submetidas às crianças... não há outro caminho senão investir forte e continuadamente na formação dos professores, pois ninguém pode realizar um trabalho pedagógico para o qual não se teve formação”.
Ao discorrer sobre as teorias da avaliação da aprendizagem, a autora destaca a idéia de avaliação, como mensuração por meio de testes padronizados, introduzidos no Brasil na década de 30, segundo a autora até a década de 50, a avaliação sofreu forte influência da Psicologia, porém nos anos 60 e 70 sofreu influência do tecnicismo, cujo maior pressuposto era a racionalização do trabalho já a partir da década de 80, se sobressai os estudos que denunciam as práticas avaliativas de natureza seletiva e classificatória, em 1984, no XVI Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, aprofundam as reflexões feitas no XIV seminário e propõe a avaliação diagnóstica a favor da democratização do ensino.
Neste sentido percebe-se que a temática da avaliação perpassa quatro gerações, sendo que na primeira a avaliação era tida como sinônimo de medida, na segunda, a descritiva, os resultados obtidos eram relacionados com objetivos estabelecidos, na terceira, a ênfase cai na formulação de juízo de valor, já na quarta geração, releva-se a negociação, abrangendo aspectos humanos, políticos, sociais, culturais e éticos.
Já nos anos 90 a ênfase nos estudos sobre avaliação recai sob os vários aspectos do processo, devendo ser levado em consideração não apenas a dimensão cognitiva, mais a social, a afetiva, os valores, as motivações e até mesmo, a própria historia de vida, para tal, várias vertentes são chamadas a tratar do tema desde a sociologia, até a psicologia e a pedagogia. Sendo assim duas vertentes se firmam nos estudos sobre avaliação uma que se caracteriza pela ênfase na racionalidade e objetividade do processo avaliativo e a outra que considera além dos aspectos quantitativos também os aspectos qualitativos, considerando não só o produto das aprendizagens, mas também a forma como essa vem se dando.
Neste sentido a autora cita Demo (1995) que diz: “... por mais que possamos admitir qualidade como algo mais e mesmo melhor que quantidade, no fundo uma jamais substitui a outra, embora seja possível preferir uma à outra.” Percebe-se então que quantidade e qualidade fazem parte de um mesmo todo. Para Demo (1995) a avaliação pautada em uma concepção formativa, que se preocupa com o percurso da aprendizagem individual, e que toma o erro pedagogicamente, como objeto de avaliação não somente do aluno, mas também como indicador para se rever sua metodologia de ensino e ou instrumentos de avaliação se configura como avaliação qualitativa.
A avaliação segundo a autora não é uma pratica neutra, é um ato político e está a serviço da sociedade que a mesma esta inserida, neste sentido Ohlweiler (1997) diz: “a avaliação da aprendizagem, não sendo um processo neutro, está vinculada a uma ideologia político-social”.
E neste sentido Vasconcellos (2000) discute a lógica dos absurdos que tem se constituído as praticas pedagógicas, especificamente as praticas avaliativas o autor faz a seguinte reflexão:
No principio era o caos. Um dia, o professor descobriu que podia mandar o aluno para fora da sala de aula, que a instituição cuidava de ameaçá-lo com a expulsão. Mais tarde um pouco, descobriu que tinha em mãos uma arma muito mais poderosa: a nota. Começa a usá-la, então para conseguir a ordem no caos. O caos se fez cosmos, o maldito cosmos da nota (idem, p.15)
Segundo Vasconcellos esta prática avaliativa está pautada em um modelo autoritário a serviço de uma política socioeconômica tradicional-liberal, garantindo a manutenção de uma prática excludente. E neste sentido para que a avaliação venha ser instrumento de inclusão, é preciso compreendê-la como processo de uma engrenagem maior que chamamos de educação escolar.
Para vários autores como Perrenoud (1999), Werneck (1996), Vilas Boas (2003), Bloom (1983) dentre outros a avaliação formativa corresponde o modelo ideal seguindo a lógica da atual sociedade a medida que haja um rompimento com práticas avaliativas tradicionais, arraigadas na alma do professorado e no sistema de ensino, embora tal rompimento não seja tarefa simples, pois trata-se de rever e re-significar mais de um século de práticas educacionais excludentes, além de superar barreiras como a má formação profissional, baixos salários e o descrédito na profissão do magistério.
Segundo Hadji (2002) “a avaliação formativa se apresenta hoje como um combate diário, o que necessitamos hoje, em termos de avaliação, é a construção de um olhar reflexivo, consciente e sensível do educador, que como tal, só pode ser curioso e indagativo”.
Embora a avaliação seja um dos nós da educação Brasileira, segundo a autora uma transformação em todo o sistema escolar se faz necessário, de modo que a avaliação da totalidade da escola seja colocada em evidência, para que questões, como a avaliação da aprendizagem dos alunos, estejam em consonância com projetos educativos da escola.
A escolha dos instrumentos de avaliação não pode ser aleatória, devendo estar atrelada ao planejamento de ensino e aos objetivos que se pretende alcançar. É preciso que o professor tenha clareza sobre: como, quando, para quem e para que avaliar, se o interesse é verificar não somente o produto das aprendizagens, mas também o decorrer de todo o processo, a articulação de vários instrumentos se fazem necessários como, por exemplo: o caderno de campo, a auto-avaliação, o mapa conceitual, o portfólio ou pasta avaliativa, a observação, a entrevista, as provas, as discussões coletivas, o conselho de classe, dentre outros.
Propor a substituição da nota pelos pareceres descritivos e relatórios de desempenho, é dar um salto qualitativo na compreensão e interpretação do fenômeno da construção do conhecimento, é compreender o aluno como ser único, que não pode ser julgado e avaliado com parâmetros que não sejam relacionados às suas características.
Reconhecendo que os atuais professores não receberam formação acadêmica nos bancos das universidades, para um trabalho como o proposto pela organização curricular por ciclos há de se viabilizar então formação continuada em serviço para tal prática.
A escola organizada por Ciclos se depara com alguns mitos como o da Reprovação, segundo depoimento de algumas professoras analisadas por Cabrera (2006), o medo da reprovação é o que motiva o interesse do aluno em estudar argumentando que “se eles sabem que não são mais perseguidos pelo fantasma da reprovação, não se interessarão mais, igualmente pelos estudos”. Para a autora, essa preocupação reflete as distorções acumuladas historicamente e as bases equivocadas do sistema: a incapacidade de envolver o aluno no processo educativo, por ele mesmo, e não por ameaça de alguma punição, como no caso a reprovação.
Muitos professores não classificam e selecionam o aluno porque é um tirano, um ditador. Na maioria das vezes, seleciona, reprova, em nome de uma suposta qualidade do ensino, em muitos casos, chega a afirmar que faz isso em prol do beneficio do aluno, argumentando que: “ na vida, serão cobrados... irão fazer testes seletivos... tem um vestibular para enfrentar”. Vemos neste discurso os pressupostos do individualismo, da sociedade calcada na competição. De qualquer modo, o que antes era tido como natural, agora passa a incomodar, ainda que de forma tênue, ao descrever as estratégias de avaliação utilizadas para superar as dificuldades que os alunos apresentam, o professor tem elementos para repensar sua prática pedagógica e refletir sobre o desempenho dos alunos entendendo que outros fatores deverão ser considerados.
O ponto de partida e principal em questão, não é simplesmente, eliminar legalmente a reprovação, mas lutar para que os professores se comprometam com a aprendizagem efetiva de todos, segundo Vasconcellos (1998, p.114), “antes de acabar com a reprovação na legislação, é preciso acabar com ela na cabeça dos educadores”.
Para Cabrera (2006), ainda há de se percorrer um grande caminho, para que as práticas avaliativas não estejam centradas na simples verificação de conteúdos assimilados, e passem a ser instrumentos para diagnosticar possíveis inferências durante todo o processo ensino-aprendizagem.
Para Fernandes & Freitas (2008), avaliação é uma atividade que envolve legitimidade técnica e legitimidade política na sua realização. Entretanto, o professor deve estabelecer e respeitar princípios e critérios refletidos coletivamente, referenciados no projeto político pedagógico, na proposta curricular e em suas convicções acerca do papel social que desempenha a educação escolar. Para os autores a avaliação é responsabilidade de todo o coletivo escolar. Assim sendo o professor não deve se eximir de suas responsabilidades do ato de avaliar as aprendizagens de seus estudantes, assim como os demais profissionais, em conjunto com professores e estudantes deverão participar das avaliações acerca dos demais processos no interior da escola, ressaltando a importância do estímulo à auto-avaliação, tanto do grupo, quanto do professor.
Os autores argumentam que em nossa cultura meritocrática, o uso das notas tem por finalidade classificar os melhores e piores durante o processo, sendo que os piores percorrerão o mesmo caminho novamente ao longo do período de estudos, sendo assim avaliar, para o senso comum, aparece como sinônimo de medida, de atribuição de um valor em forma de nota ou conceito, porém os professores têm o compromisso de ir além do senso comum e não confundir avaliar com medir.
Sendo assim notamos que avaliação é uma atividade orientada para o futuro. Medir refere-se ao presente e ao passado, ou seja, avaliar refere-se à reflexão sobre as informações obtidas com vistas a planejar o futuro, portanto, medir não é avaliar, embora o mesmo faça parte do processo. Avaliar a aprendizagem do estudante não começa e muito menos termina quando atribuímos uma nota à aprendizagem.
A avaliação, portanto é uma das atividades que ocorre dentro de um processo pedagógico, que inclui formulação dos objetivos da ação educativa, na definição de seus conteúdos e métodos, entre outros. A avaliação, portanto, sendo parte de um processo maior, deverá ser usado no sentido de acompanhamento do desenvolvimento do estudante. Quando a avaliação acontece ao longo do processo, com objetivo de reorientá-lo, recebe o nome de avaliação formativa e quando ocorre ao final do processo com a finalidade de apreciar os resultados, recebe o nome de avaliação somativa, percebemos que tais avaliações têm objetivos diferenciados.
Embora saibamos da possibilidade de avaliar para classificar ou selecionar, excluindo o educando durante o processo escolar, poderá optar por uma avaliação cuja lógica é a da inclusão, do diálogo, da construção da autonomia, da participação, da construção da responsabilidade com o coletivo. Essa concepção de avaliação parte do princípio de que todas as pessoas são capazes de aprender e de que as ações educativas, as estratégias de ensino, os conteúdos das disciplinas devem ser planejados a partir dessas infinitas possibilidades de aprender dos estudantes. Embora entendamos que os estudantes aprendem de varias formas, em tempos nem sempre homogêneos, a partir de diferentes vivências pessoais e experiências anteriores, sendo assim devemos entender a avaliação como promotora desses princípios, cujo papel é de auxiliar professores e estudantes a compreender de forma organizada os processos de ensinar e aprender.
Se entendermos que a escola, não é apenas um local onde se aprende a construir determinado conteúdo escolar, mas um espaço onde se aprende a construir relações com as “coisas” (mundo natural) e com as “pessoas” (mundo social). Essas relações devem propiciar a inclusão de todos e o desenvolvimento da autonomia e auto-direção dos estudantes, com vistas a que participem como construtores de uma nova vida social. Para tal é fundamental transformar a prática avaliativa em prática de aprendizagem, é necessário avaliar como condição para a mudança de prática e para o redimensionamento do processo de ensino/aprendizagem, sendo assim avaliar faz parte do processo de ensino e de aprendizagem, não ensinamos sem avaliar, não aprendemos sem avaliar. Dessa forma, rompe-se com a falsa dicotomia entre ensino e avaliação, como se esta fosse apenas o final de um processo.
Ao avaliar deveremos ter em mente que, em nossa prática, não estamos avaliando nossos estudantes e crianças, mas as aprendizagens que eles realizam. Neste sentido alguns aspectos deverão ser contemplados nos instrumentos de avaliação como a linguagem a ser utilizada, a contextualização daquilo que se investiga, o conteúdo deve ser significativo, coerência com os propósitos do ensino, explorar a capacidade de leitura e de escrita, instrumentos que podem ser utilizados ou construídos com a finalidade de acompanhar a aprendizagem.
O profissional, que trabalha na perspectiva da avaliação formativa, não estará preocupado em atribuir notas aos estudantes, mas em observar e registrar seus percursos durante as aulas, a fim de analisar as possibilidades de aprendizagem de cada um e do grupo como um todo, podendo planejar e re-planejar as possibilidades de intervenção junto às aprendizagens dos estudantes. Lembrando sempre que os envolvidos no processo de avaliação deverão ter clareza sobre o que é esperado deles para viabilizar a auto-avaliação.
Tendo em vista os pressupostos acima citados, bem como o Parecer Orientativo do Processo de Avaliação na Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana em Mato Grosso, a Equipe do Cefapro polo Sinop-MT, mediante a um diagnóstico solicitado às escolas no início do ano letivo, o qual revelou a necessidade de aprofundamento sobre essa temática.
É nesse sentido que nós, profissionais desta instituição temos nos empenhado em construir com o coletivo de profissionais da Educação desta região uma concepção de avaliação processual, diagnóstica e formativa, considerando que esta forma de avaliar permite aos envolvidos no processo perceber que a avaliação seja considerada um instrumento de construção de conhecimento, bem como possibilidade de aprendizagem, reconhecendo também que essa temática é fonte inesgotável de pesquisa e discussões, sendo necessário oportunizar esses momentos junto aos profissionais da educação.
FONTES DE CONSULTA
CABRERA, R. C. Docência e Desespero: Avaliação da Aprendizagem na Escola Ciclada. Brasilia: Liber Livro Editora, 2006. 189p.
FERNANDES C. de O; FREITAS, L. C. Indagações sobre o currículo: Currículo e Avaliação. Brasilia: MEC, 2008. 44p.
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