quarta-feira, 10 de abril de 2013

Formação Continuada e o Projeto Sala de Educador em Mato Grosso

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Formação Continuada e a Re-significação das Práticas Pedagógicas: A Objetividade e a Subjetividade da Formação Continuada no Projeto Sala de Educador desenvolvido pelos Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica em Mato Grosso.



PEREIRA,Sara Cristina Gomes/CEFAPRO-Sinop-MT

Resumo
Este texto apresenta alguns apontamentos sobre o desenvolvimento e a implementação das ações de Formação Continuada envolvendo os profissionais do CEFAPRO no Estado de Mato Grosso e no Polo de Sinop. Relata também as atividades desenvolvidas neste Centro pelos professores formadores junto as escolas da rede pública do Estado. Apresentando também a Formação Continuada atualmente desenvolvida pelos Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica do Estado junto as instituições escolares.


A objetividade e a Subjetividade da Formação Continuada no Projeto Sala de Educador desenvolvido pelos CEFAPROS junto as Instituições escolares de Educação Básica em Mato Grosso. Em se tratando de Formação Continuada pontos importantes para reflexão:
Como os estudos durante o Projeto Sala do Educador afetam nosso desempenho profissional? Por que participar deste Projeto? O que sentimos ao participar destes encontros? Conseguimos de fato envolver-nos ou engajar-nos nesta proposta de Formação Continuada? Quais as transformações percebidas por nós a medida que estes estudos acontecem? Qual a concepção política e ideológica que sustenta a Formação Continuada em Mato Grosso? A que propósito serve a Formação Continuada? A construção de conhecimentos e Capacidades desenvolvidas nesta formação responde a um modelo ou parte do principio que o profissional de educação é agente de desenvolvimento curricular e humano? A Formação Continuada em questão está centrada na instituição e seus anseios ou no profissional? Em que medida o profissional que participa da Formação Continuada compromete-se com sua própria formação e vê nela possibilidade de transformações de sua prática? Como acontece a interação e a socialização das experiências no processo de Formação Continuada?
Estas são apenas algumas indagações que orientam os estudos sobre a Formação Continuada. Para respaldar a subjetividade destes questionamentos será significativo evidenciar que um dos objetivos deste texto será detectar qual a concepção política e ideológica que sustenta a Formação Continuada em questão, tendo em vista que segundo (Fusari,2002) há tendências diversificadas de Formações Continuadas, como por exemplo a tendência Tradicional que prevê além da aquisição do conhecimento uma mudança de atitude por parte dos profissionais, outras tendências em formação continuada também são sugeridas pelo autor como a Tendência Tecnicista a Tendência Critico-reprodutiva e a Tendência Crítica cada uma destas tendo suas peculiaridades. Desta forma cabe analisar, qual tendência de Formação Continuada orienta minha formação?
O Livro; Os professores e sua Formação (Nóvoa,1992) aponta para a importância de considerarmos o perigo do praticismo/pragmatismo nas ações de Formação Continuada bem como a importância da superação da dicotomia teoria/prática pois para o autor esta superação constitui-se um grande desafio. Outra questão relevante no tocante a Formação Continuada tem sido quais as contribuições desta nas relações que se estabelecem entre educadores e estudantes (Mizukami,2002) considerando que, a educação tradicional prevê uma relação vertical entre professor-aluno e oque é privilegiado nas relações de Formação Continuada muitas vezes são apenas aspectos formais como metodologias, conteúdos, currículos, registros dentre outros, em detrimento de aspectos “não lógicos” como afetos, emoções, expressões do inconsciente, aspectos estes que influenciam diretamente no fazer pedagógico, se consideramos que o professor/educador será indubitavelmente objeto de transferência dos desejos do estudante e o desejo de saber deste se aferra a pessoa do educador.
Nesta perspectiva cabe-nos indagar até que ponto a Formação Continuada proporciona ou possibilita momentos de disponibilidade de um profissional para com o outro, para o diferente para a heterogeneidade? Outras questões relevantes são: Oque nos sustenta na profissão professor/educador? Qual o modelo de Formação Continuada que estou filiado, tenho consciência deste modelo? Considerando que segundo Nóvoa(1992) temos diferentes modelos de Formação Continuada com objetivos diversos como por exemplo: O modelo Clássico desenvolvido pelas Universidades, Secretarias de Educação e Ministério da Educação, além destes temos o Modelo Estruturante o Modelo Construtivista e a Formação Continuada via metodologia ativa-construtivista que envolve a formação segundo a ótica da ação-reflexão-ação.
E neste sentido a Formação Continuada desloca-se dos espaços das Universidades para o espaço da escola básica segundo Nóvoa (1992) este modelo de Formação permite a valorização do saber docente, pois considera o contexto no qual o docente está inserido, diferenciando-se de “pacotes de Formação Padronizados”. Seguindo esta lógica Candau( 1990) corrobora com o pensamento de que a escola deve ser lócus de Formação Continuada e valorização do saber docente, mais que isso que durante estes momentos de Formação sejam considerados aspectos fundamentais como os diferentes ciclos de vida profissional em consonância com Hubermam(1989) que aponta para a importância de durante a Formação Continuada considerar a subjetividade de cada profissional, ou os diferentes Ciclos de vida dos educadores bem como sua diversidade e seus interesses, este denomina-se como “Modelo Construtivista de Formação Profissional”.
Tal modelo deverá levar em conta os desafios e possibilidades no processo de Formação Continuada de Professores/educadores. Desta forma nos cabe indagar em que medida a Formação Continuada articula a Formação com as experiências desenvolvidas na instituição escolar? Em que medida ou até que ponto percebo a valorização dos saberes prévios e práticos dos profissionais com quem atuo? Consigo perceber o modelo de Formação Continuada? Considerando os modelos propostos por Nóvoa(1992) como modelo interativo/reflexivo? Entendo de fato as implicações destes modelos diferentes de Formação Continuada? Segundo Mizukami(2002) a formação continuada será mais efetiva quando os profissionais forem investigadores pesquisadores e as pautas e ou estudos surgirem da necessidade deles, desta forma serão como sementes para mudanças maiores.
Neste sentido cabe-nos rememorar as origens da Formação Continuada em Mato Grosso, sua Trajetória seus conflitos e tensões. Porém reconhecemos que a Formação Continuada gestada e gerida pelos próprios profissionais da educação terão mais exito e gerarão mais participação e desejo de transformações, quando o professor/educador for o protagonista do seu desenvolvimento profissional, desde que lhe sejam garantidas condições de formação, atuação e mudança, nesta perspectiva a Formação Continuada se dá num movimento processual e contínuo. Considerando esses aspectos os CEFAPROS ( Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação do Estado de Mato Grosso), vinculados a Superintendência de Formação – SEDUC/MT, trabalham com o objetivo de propiciar a Formação Continuada para os profissionais da Educação Básica na própria escola, esse movimento possibilita em tempo real aliar teoria/prática, considerando a atuação e reflexão, respeito ao tempo e ritmo de cada instituição para que haja o aprofundamento teórico/metodológico.


Ao Observarmos os movimentos relativos a Formação Continuada nas décadas de 80, 90 e na atualidade e ao percebermos que os diversos segmentos da sociedade manifestam insatisfação e preocupação com a qualidade da educação uma vez que a educação sofre reflexos da sociedade globalizada e em meio a todas estas transformações e com fins de universalizar o acesso à Educação e satisfazer as necessidades de aprendizagem de todos com qualidade, muitos estudos e reflexões tem sido feitos.

Além das formações propostas pelas esferas Federal ( MEC) e Estadual (SEDUC) o foco principal das ações do CEFAPRO tem sido o fortalecimento e o desenvolvimento do Projeto “Sala de Educador” cujo principal objetivo é fortalecer a Escola como espaço formativo, objetivando o comprometimento coletivo e a construção da aprendizagem. Neste sentido, várias ações são desenvolvidas pelos Centros de formação como: orientação, elaboração, acompanhamento e avaliação dos projetos de cada unidade escolar, orientação e formação de educadores, articulação com assessorias pedagógicas e secretarias municipais que objetivam a efetiva implementação do Projeto Sala de Educador e demais ações formativas quer sejam da esfera municipal, estadual ou federal.
Considerando assim, que os projetos de Formação Continuada elaborados pelas instituições escolares deverão ser coerentes e integrar as necessidades de crescimento profissional, a melhoria da aprendizagem dos estudantes, tornando a escola uma comunidade essencialmente educativa para que os projetos não se confundam com respostas formais às exigências ou com planos de formação à margem das escolas, mas promova a reflexão e havendo a necessidade a reelaboração das atividades educacionais. A Formação Continuada nesta perspectiva é entendida como qualificação contínua e não apenas como desenvolvimento de competências e habilidades fragmentadas, estanques, mutantes na corrida por cursos que propiciam apenas acumulação de pontos e ou certificações.
Neste sentido é relevante considerar que Nóvoa (1992) destaca, diferentes tendências, bem como diferentes modelos de Formação Continuada, como o modelo Clássico ou Estruturante proposto pelas instituições de ensino desenvolvidos pelo Ministério da Educação, Universidades, Secretarias e demais instituições de ensino e o modelo Construtivista ou Interativo/Reflexivo que acontece nas próprias escolas, este último envolvendo a formação ativa-construtivista que aponta para a formação segundo a ótica da ação-reflexão-ação possibilitada pela pesquisa-ação proposta por Thiollent (1998).
Tal Formação Constitui-se ainda como difusora de conhecimento em articulação com os conhecimentos presentes na rede pública sendo capaz de por meio deste conhecimento analisar os impactos das inovações introduzidas na qualidade da rede pública e em conformidade com este pensamento Mizukami (2002) diz que a Formação Continuada será mais efetiva quando os profissionais forem investigadores pesquisadores e as pautas e ou planejamentos de estudos surgirem da necessidade deles, ou seja, da realidade de cada instituição, ou ainda de cada grupo de professores/educadores seguindo uma lógica de necessidades e interesses que podem ser da coletividade ou mesmo do interesse de cada um, construindo formas de atuação e avaliação pela própria rede de ensino.
A formação continuada especialmente a proposta pelo projeto Sala de Educador envolve uma rede de colaboração entre, Seduc, Superintendência de Formação, Cefapros, Instituições de Formação Inicial, Assessorias Pedagógicas, Secretarias Municipais de Educação e Escolas.

Dentre as ações de formação os professores formadores atuam no sentido de: Diagnosticar, junto aos professores, as necessidades educativas, formativas e demandas da sua área de atuação; Planejar as ações de formação, viabilizando metodologias que atendem às necessidades formativas dos professores do polo; Elaborar o plano de ação por área de conhecimento; Desenvolver projetos de intervenção referentes às necessidades diagnosticadas em cada campo de atuação; Acompanhar e executar as ações formativas em consonância com os Projeto Pedagógicos; Promover e gerenciar a auto-formação para o bom desenvolvimento de seu trabalho, atualizando-se em relação aos conhecimentos científicos e tecnológicos; Avaliar juntamente com a equipe gestora o processo de formação desenvolvido pelo CEFAPRO no decorrer de cada período letivo; Orientar, monitorar, acompanhar e avaliar o trabalho deseonvolvidos nos Laboratórios de Informática e demais ações tecnológicas das unidades escolares; fazer avaliações determinadas pela comissão permanente de avaliação.
Estas ações de Formação em conformidade com os demais projetos de pesquisa elaborados pelos Centros de Formação ou em parceria com outras instituições de educação tem sido referência em Formação Continuada para outras regiões do país, objetivando consolidar a política de formação, qualificação e atualização dos Profissionais da rede pública de ensino do Estado de Mato Grosso, ampliando e criando possibilidades novas para que os educadores possam atuar de forma a aliar teoria/prática.
O texto então nos leva a voltar nossa atenção as perguntas elencadas inicialmente e fazer uma séria reflexão a cerca de qual a concepção de Formação Continuada atualmente em desenvolvimento em nossas unidades escolares, com fins de observar se a mesma está em sintonia com a proposta de formação continuada preconizada pelos programas e projetos para o Estado de Mato Grosso.




REFERÊNCIAS

CANDAU, Vera Maria e LELIS, Isabel Alice. A relação teoria-prática na formação do educador. In: CANDAU, Vera Maria (org.). Rumo a uma nova didática. Petrópolis, RJ: Vozes, 3ª edição, 1990, 49-63.
FUSARI, José Cerchi et alli (2002). Reformas da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo: considerações críticas. In: Revista de Educação: Progressão continuada ou aprovação automática?, nº 13. São Paulo: APEOESP. 2ª edição.
HUBERMAN, M. La vie do enseignants: evolution et bilan de une profession. Paris: Delachaux et Niestlé, 1989.
__________. Formação de professores: pesquisa, representações e poder. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
MIZUKAMI, M. G. N., et al. Escola e aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. São Carlos: EdUFSCar, 2002.

NÓVOA, A. (Org.). Vidas de Professores. Porto: Porto Editora, 1992.
__________. Os professores e sua formação. Lisboa: Nova Enciclopédia, 1992.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 4 ed. São Paulo: Cortez, 1998.









Profuncionário- Pauta trabalhada pelas formadoras de lingua Portuguesa CEFAPRO/Sinop-MT

CENTRO DE FORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
DA EDUCAÇÃO BÁSICA - CEFAPRO – POLO DE SINOP

Sinop, 09, 10, 11 e 17 de Abril de 2013

Pauta Profuncionário
  Professora Formadora: Sara Cristina Gomes Pereira

Objetivo:Possibilitar a construção de conhecimentos sobre o Gênero Textual Memórias, suas características, estrutura e utilidade enquanto instrumento de registro avaliativo.

Metodologia: Adotaremos a metodologia Expositiva, Reflexiva e Dialógica.

Procedimentos Metodológicos:

  • Boas vindas e apresentar a atividade do programa - Unidade 08 (Tutoras)
  • Assistir a um recorte do filme Narradores de Javé
  • Comentários sobre o vídeo (Importância de refletir e escrever o que vivencia no percurso de formação)
  • Reflexões:
1) Que fatos situações e recordações seria interessante registrar no memorial?
2) Aconteceu algo que marcou sua vida como estudante?
3) Como era sua escola na época em que você estudou? todos tinham acesso à escola?
4) O ensino hoje é diferente daquela época? Por quê?

  • Leitura do texto “Memorial” de Antônio Joaquim severino (Em grupo).
  • Socialização da leitura do texto.
  • Orientar a construção do Memorial
Abertura: Identificação do programa e do curso, título, nome do(a) tutor(a) e  aluno(a), local e data (ano de 2013)
Sumário (Reservar duas folhas em branco)
Introdução (Qual o objetivo do caderno Memorial)
Corpo do memorial: iniciaremos com o  registro reflexivo das quatro questões elencadas acima.

Avaliação:
1) Em que o encontro contribuiu para a compreensão da utilidade do Memorial?
2) O que seria importante ser retomado no estudo da Unidade 08?
       

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Relato do GEPLIA- 1 encontro de 2013


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“ O futuro nunca se anima a ser de todo presente sem antes ensaiar, e esse ensaio é a esperança”
Jorge Luis Borges


Esclarecimentos sobre o PROFLETRAS.
www.comperve.ufrn.br
Estudo do capítulo 3 do livro Linguística Aplicada e Vida Contemporânea.
Problematização dos Construtos que têm Orientado a pesquisa.(Luiz Paulo da Moita Lopes)
Pontuações do Texto:
O autor problematiza as questões da Linguística Aplicada e retoma os precursores da Lingüística Aplicada nos Estados Unidos e no Brasil.
Ainda hoje os Lingüistas puros Teóricos, tem dificuldades de aceitar a Lingüística Aplicada como ciência. Linguística Aplicada estuda a Língua em uso. Linguística (núcleo duro) estuda a Língua pela língua estrutura diferente das demais linhas da Linguistica inclusive a aplicada estudam a língua em uso. Pesquisar um pouco mais a Linguística de corpos, a sociolinguística etc.. Lendra rememora conceitos da sociolinguística da linguística de corpos e da Linguística Aplicada, o mesmo objeto pode ser utilizado pelas diferentes linhas de pesquisa da Linguística. Professora Cássia pergunta como criar estratégias para pesquisar com aporte teórico da pesquisa Aplicada. Professora Lendra diz que utilazamos a pesquisa interpretativista a luz dos teóricos da Linguística Aplicada e estas servirão para análisarmos nosso objeto de pesquisa. O pesquisador criará as categorias para análise ( autores de metodologia da pesquisa falam sobre...) Professores formadores falam da facilidade de coletar dados e da dificuldade para interpreta-los. Professora Leandra fala sobre a importância de conhecer cada domínio da linguística. Professora Leandra fala sobre os principais domínios da linguística para pesquisa e nos encaminhará tabela para facilitar nossas pesquisas em linguística aplicada ( Tabela só para estudo ). O texto de Moita Lopes fala da Linguistica Aplicada como Lugar da Esperança : Propõe mudanças epistemológicas...construir conhecimento tem tudo a ver com esse projeto, pois em última análise, todo conhecimento em ciências sociais e humanas é uma forma de conhecer a nós mesmos e de criar possibilidades para compreender a vida social e outras alternativas sociais... É tempo de reinventar a vida social, assim como a LA como forma de compreendê-la, de modo a poder imaginar novas ações políticas...uma vez que é o sonho que nos faz pensar em alternativas para questões que se apresentam na várias esferas de nossas vidas, prefiro pensar que este capítulo compreende a LA como lugar de ensaio da esperança... professores formadores fazem comentários sobre o texto. Professora Leandra faz breve leitura sobre o parecer do Projeto encaminhado para aprovação e os motivos da não aprovação. Professora Leandra fala sobre os artigos escritos com as formadoras que estão para aprovação e servirão de estímulos e embasamento para os trabalhos deste Centro e de outros... Professora Lucineide socializará o texto sobre Piaget e Vygotsky.
Professora Arlete pede o livro de Linguística Aplicada para iniciantes.
Professora Leandra convida professoras para assistir as aulas de Linguística Aplicada na UNEMAT.
Professora Lendra encaminhara o horário para que as formadoras escolham as datas para assistir algumas aulas com os acadêmicos de Letras e encaminhará os textos da disciplina.
Professora Cássia encaminhou as datas para os formadores para atuação no Projeto da escola N.Senhora de Lourdes.
Ler Aproximações Teóricas e demais textos que serão enviados.
Os estudos na atualidade nos cursos de letras estarão voltados para a Lingua e o Ensino. Professora Leandra encaminhou alguns textos.

O Segundo encontro do GEPLIA aconteceu no dia 19 e22 de abril.  Os estudos então dividiram-se em dois momentos um na sexta-feira e outro na segunda-feira, para realinhamento das ações formativas na escola Nossa Senhora de Lourdes. O Inicio do trabalho será com o tema Transdisciplinaridade tendo em vista a necessidade da compreensão deste para organizar o currículo da escola bem como para a ação na área de Linguagens na perspectiva das Orientações Curriculares e na Concepção Teórica proposta pela Linguística Aplicada.
O desafio posto será de trabalhar com os educadores e produzir textos científicos que possam subsidiar futuras práticas. Desta forma os pesquisadores da Linguagem serão apoio para os educadores na escola nesta atividade.





terça-feira, 2 de abril de 2013

Currículo e Ciclos de Formação Humana- Artigo apresentado em Brasília

 
OS CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA EM MATO GROSSO E AS
ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA A ÁREA DE LINGUAGENS


Sara Cristina Gomes PEREIRA
Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica
Ketheley Leite FREIRE
Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica
Élidi Preciliana PAVANELLI
Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica


RESUMO: Considerando que a educação tem como papel preponderante a Formação Humana e objetiva atender às novas necessidades sociais, as políticas e práticas educacionais têm empenhado esforços no sentido de priorizá-la, incorporando de forma definitiva a Organização por Ciclos, condição que se avalia mais inclusiva e voltada para a promoção humana acompanhada da qualidade necessária para a vida cidadã (PARENTE, 2006). Neste sentido as Orientações Curriculares para o Estado de Mato Grosso apontarão as estratégias e os recursos necessários destinados a estas ações pedagógicas. Nessa perspectiva, esta organização escolar é pensada e proposta contextualizando a Área de Conhecimento e seus respectivos componentes curriculares, considerando as características inerentes a cada ciclo vital humano como infância, pré-adolescência e adolescência. Surge, portanto, a necessidade de repensar a práxis pedagógica, de modo que os conhecimentos específicos de cada componente curricular possibilite a construção e/ou a ressignificação sócio-histórico-cultural que favoreçam aos sujeitos envolvidos, a ampliação da visão de si, de sua família, da escola, do bairro onde mora, da sociedade e cultura em que vive, e busquem transformações. Na área de Linguagens, as disciplinas compartilham objetos comuns de estudo que podem, articuladamente, convergir para a construção, desenvolvimento e compreensão do uso particular das linguagens. Dentre estes objetos estão o código, o texto e a leitura. O conceito de Linguagem aqui citado possibilita reafirmar que as práticas sociais são constituídas pela/na inter e transdicisplinaridade (MATO GROSSO/SEDUC, 2010). O estudo da revisão bibliográfica mostra que a humanização proposta por esta organização escolar redesenha o trabalho dos profissionais da área de linguagens.

Palavras-chave: Linguagem; Orientações Curriculares; Ciclo de Formação Humana.

ABSTRACT: Whereas education has the leading role for the human formation and objectively meet new social needs, the educational policy and practice has committed efforts to prioritize it, incorporating in a definitive way the Organization by cycles, Condition that evaluates more inclusive and focused on the human promotion accompanied by the necessary quality for the citizen’s life (PARENTE, 2010). In this sense the Curricular Guidelines for the State of Mato Grosso will appoint the strategies and the resources necessary for these pedagogical actions. In this perspective, this school organization is intended and proposed contextualizing the knowledge Area and their respective Curriculum components, whereas the characteristics inherent to each vital cycle as human childhood, pre-adolescence and adolescence. There appears, therefore, the need to rethink the pedagogical praxis, so that the specific knowledge of each component curriculum enables the construction and/or resignification socio-cultural-historical that favor the subjects involved, the extension of the vision of themselves, their family, the school, the neighborhood where they live, society and culture in which he lives, and seek changes. In the area of languages, the disciplines share common objects of study that may, articulately, converge on the construction, development and understanding of the use of particular languages. Among these objects are the code, the text and the reading. The concept of language here cited allows reaffirm that the social practices are constituted by/in inter and transdicisplinary (MATO GROSSO/SEDUC, 2010). The study of literature review shows that the humanization proposal for this school organization redesigns the work of professionals in the area of languages.

Key Words: Language; Curricular Guidelines; Cycle of human formation.


Introdução

Neste texto apresentaremos a proposta curricular da escola organizada por Ciclos de Formação Humana em harmonia com as Orientações Curriculares para a educação básica do estado de Mato Grosso que tem como princípio para sua estruturação, considerar as características do ciclo vital de desenvolvimento humano apoiando-se nos estudos da neurociência.

Apresentaremos algumas ações formativas desenvolvidas pelas professoras formadoras da área de Linguagens do CEFAPRO1 de Sinop/MT, que compõe o Grupo de Estudos GEPLIA2, considerando o repensar da práxis pedagógica onde o movimento de cada disciplina da área possibilita a construção e/ou ressignificação sócio/histórico/cultural da aprendizagem.

Sendo assim, pensar o ensino/aprendizagem por área do conhecimento implica em entender a relação entre os objetos comuns às disciplinas da Linguagem (código, texto e leitura) de modo que a compreensão dessa relação possibilite a construção, desenvolvimento e compreensão dos variados usos da linguagem.

Organização Curricular para o estado de Mato Grosso e os Ciclos de Formação Humana

Um olhar mais atento para organização curricular por Ciclos de Formação Humana evidencia a necessidade de transformação no currículo conforme relembra Freitas (2003) fundamentando-se no educador russo do século XX Pistrak ao dizer “o ciclo dá como parâmetro para o professor os seguintes elementos, que deverão informar sua prática pedagógica: as fases de desenvolvimento humano do aluno, suas características pessoais e as vivências socioculturais.”

Em conformidade com este pensamento a organização por Ciclos não será meramente uma solução pedagógica para sanar problemas de ordem estrutural, ou seja, apenas combater a evasão e a repetência, mas principalmente uma organização curricular que possibilite o desenvolvimento de novas relações sociais onde os tempos e os espaços escolares sejam colocados a serviço de novas relações entre estudantes e educadores.

De acordo com Mato Grosso/Seduc, a concepção de educação como processo de formação humana remete à organização em ciclos de formação humana que pressupõe ao educador:

... determinadas posturas frente ao mundo, à sociedade e ao sentido do conhecimento. Pressupõe um educador que se pergunta sobre o que fundamenta o seu pensamento pedagógico, a sua concepção de ser humano, de mundo e de sociedade e como isso se relaciona com a sua concepção de educação e suas práticas pedagógicas. (...) Isso coloca a necessidade do educador lidar com as teorias do conhecimento, ter clareza de qual caminho está percorrendo, de qual é o seu ponto de partida e aonde pretende chegar, ou seja, que tipo de ser humano quer formar e que tipo de sociedade quer construir. Consciente ou inconscientemente, teoria e método materializam-se nas práticas, nas atitudes e nas relações educador/educando. (MATO GROSSO/SEDUC, 2010, p. 47)

Em conformidade com esta organização curricular temos uma nova visão de mundo e de sociedade. Desta forma a escola pública anteriormente constituída por séries com fins e princípios ligados apenas a aquisição de conhecimento de conteúdos descontextualizados da realidade sócio-cultural e histórica do estudante passa a dar lugar a uma organização curricular com princípios orientados pelo respeito ao ser humano e as relações sociais solidárias. O currículo assim organizado beneficia a todos aqueles que direta ou indiretamente estejam envolvidos neste processo, ou seja, toda a comunidade escolar, principalmente os estudantes, pois nesta forma de organização todos os envolvidos no processo passam a ter voz, segundo o princípio da democracia.

Vemos assim que o currículo anteriormente firmado sobre princípios de Educação para poucos com concepções do Taylorismo/Fordismo3 (Mato Grosso/Seduc, 2010), passa a dar lugar a uma organização curricular com novas concepções voltadas para os aspectos humanos, como o fortalecimento intelectual e social das classes populares assegurando a todos o ingresso a permanência e a qualidade da educação.

Se atentarmos para a concepção pedagógica que fundamenta os Ciclos de Formação Humana perceberemos a importância do entendimento e respeito às fases de desenvolvimento humano da criança e do adolescente descritas por Piaget segundo a epistemologia genética e que fundamenta o construtivismo, também nos reportaremos ao sócio-interacionismo teoria na qual Vygostky propõe a construção sócio histórica e cultural como base para a formação e ou desenvolvimento humano ten considerando que são nas relações entre os pares que acontecerá a construção do conhecimento. Nesta concepção de educação e currículo não podemos desconsiderar os estudos e as propostas para a educação de Paulo Freire quando evidencia em suas obras que um dos princípios da educação perpassam valores de liberdade, autonomia e esperança.

Com esse entendimento as transformações de um currículo anteriormente estruturado por Séries para um organizado por Ciclos de Formação Humana demandam reformulações em suas bases teóricas, ou seja, mudanças de concepção e transformações metodológicas na forma de planejar atuar e avaliar, tendo em vista que um currículo rígido inflexível pré-elaborado por gestores e professores passará a dar lugar a um currículo flexível e contextualizado com as reais necessidades da comunidade a qual serve, permitindo assim que o principal interessado o educando também participe de sua elaboração e implementação.

Este currículo para Formação Humana introduz sempre novos conhecimentos relacionados a vivência do aluno, às realidades regionais e cotidianas dos mesmos. Desta forma os educandos são constituintes da docência, das funções da escola e da formação curricular e por elas são constituídos. Sendo assim uma postura crítica e reflexiva sobre o currículo de cada instituição escolar faz-se necessário.

Nesse entendimento o currículo da escola, quando organizado de forma fragmentada onde as disciplinas aparecem compartimentadas ou em gavetas que não se entrecruzam, dará lugar a um currículo interdisciplinar voltado para a formação humana em sua totalidade se considerarmos que o cérebro humano organiza-se de forma interdisciplinar.

Sendo assim as ações dos envolvidos no processo ensino aprendizagem também deverão acontecer de forma inter/transdisciplinar, se reconhecermos que o conhecimento só será significativo se construído dessa forma. Esse entendimento se confirma nas palavras de Fazenda (1993) quando diz “[...] A interdisciplinaridade depende então, basicamente, de uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento, da substituição de uma concepção fragmentária do ser humano”.

Com este currículo interdisciplinar as ações pedagógicas não se alicerçam mais no “que” se transmite, mas no “como” se constrói o conhecimento. Ao adotar a interdisciplinaridade no currículo não significará o abandono às disciplinas, mas a articulação entre elas com o propósito de articular mundo real e hipotético interação social, cultural e natural, com fins de que a aprendizagem possibilite ao educando se integrar a sociedade de modo ativo interagindo e interferindo sobre ela. Dessa forma o protagonista da aprendizagem passa a ser o educando que interagindo com os demais envolvidos no processo alcançarão os objetivos por eles propostos.

Entendemos assim que as demandas do cotidiano educacional, exigem constantes pesquisas interdisciplinares e a escola deverá ser este lugar, não da fragmentação da aprendizagem, do ensino sem significado, mais sim o lugar das inter-relações do trabalho colaborativo possibilitados por um currículo interdisciplinar.

Este outro olhar para o currículo preconiza novos olhares a avaliação e o seu papel na Escola Organizada por Ciclos de Formação Humana que certamente não será mais o de classificar, excluir, medir. Mais sim o de oferecer subsídio aos Educadores e educandos para o replanejar dos trabalhos na escola.

Entendendo assim que não só o educando deverá ser avaliado, mas todo o processo pedagógico bem como todas as ações ali estabelecidas. No caso específico da avaliação feita pelo educador deverá estar centrada na aprendizagem, no que o educando já consegue construir em termos de aprendizagem significativa, bem como no replanejamento dos objetivos e atividades didáticas, considerando a avaliação como um processo metodológico, desconstruindo a dicotomia metodologia-avaliação e favorecendo as relações entre educandos/educandos e entre esses e os educadores. Neste sentido uma avaliação diagnóstica, processual e formativa alcançarão os resultados propostos em conformidade com Pereira (2009).

A estrutura do currículo em Mato Grosso para os anos iniciais da educação básica, segundo a Resolução 262/02 do CEE/MT no seu artigo 5º aponta para A adoção do regime escolar por Ciclos de Formação Humana, que pressupõe a duração do ensino fundamental ampliado para 9 anos, tendo em vista a ampliação do tempo de permanência na escolaridade obrigatória.

No caso do Ensino Fundamental, sua composição observa a organização de 3 ciclos, cada um com duração de 3 anos, organizados em fases correspondentes às temporalidades da formação humana: 1º ciclo: Infância (6 à 8 anos), 2º ciclo: Pré–adolescência (9 à 11 anos) e Adolescência (12 à 14 anos). Neste sentido Lima (2008) traz as contribuições da neurociência ao falar que: [...] o cérebro se desenvolve através do diálogo entre a biologia da espécie e a cultura, considerando que na escola o currículo constitui-se fator que incide no desenvolvimento da pessoa[...] sendo assim, as atividades para conduzir às aprendizagens precisam estar adequadas às estratégias de desenvolvimento próprias de cada idade. Em outras palavras a realização do currículo precisa mobilizar diferentes funções do desenvolvimento humano, como a função simbólica, a percepção, a memória, a atenção e a imaginação.

Para consolidar esse processo, esta mesma Resolução estabelece que a adoção dessa forma de organização curricular considera a pluralidade de saberes e experiências cognitivas, reconhecimento da diversidade cultural como fatores enriquecedores do processo educativo, superadores de toda forma de discriminação, segregação e exclusão social.

Num entendimento que a ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos aponta para uma nova forma de organização curricular é que a Secretaria Estadual de Educação do Estado de Mato Grosso desde 1996 vem implementando essa política, sendo possível reconhecer que a Escola Organizada em Ciclos de Formação Humana se constitui como Política Pública Estadual de Educação em atendimento a LDB 9394/96, consolidada pelas Orientações Curriculares da Educação Básica do Estado de Mato Grosso em 2010.

Tomando como base a legislação que transita nas diversas dimensões, principalmente a pedagógica, é possível afirmar que embora sejam distintos, o Ensino de 9 anos, instituído pelo MEC em 2006 e a Escola Organizada em Ciclos de Formação Humana instituído pela SEDUC são indissociáveis, onde o primeiro fora implantado para ampliar o tempo e a qualidade da educação e o segundo antecipa-se a consolidação e a implementação dessa política. É coerente afirmar que o caráter antecipador da Escola Organizada em Ciclos de Formação Humana neste estado se constitui como política de educação, assegurando o compromisso com a qualidade social do ensino de 9 anos, considerando que a maioria dos Estados e Municípios já a adotaram pela necessidade de implantar e implementar uma política própria de educação e de reorganização curricular que possibilite e assegure financiamentos/investimentos, em diversos aspectos importantes da educação.

A área de Linguagem e a Formação Humana

Para Mato Grosso/Seduc (2010) uma área de conhecimento caracteriza-se por reunir disciplinas que possuem em comum: princípios, conceitos, modelos interpretativos e explicativos sobre certos aspectos do mundo. Estes ao se constituírem como focos de interesse e análise, transformam-se em objetos de estudo. As investigações em torno dos objetos de estudo de uma mesma área resultam numa rede de saberes e de tecnologias que se tangenciam ora por conceitos, ora por procedimentos, ora por seus produtos, permitindo, assim, organizá-los a partir de distinções e classificações comuns que transitam de uma disciplina para outra.

Ao optarmos pela organização curricular em áreas de conhecimento pretende-se que cada campo do saber adquira dinamicidade e articulação, tanto entre suas disciplinas quanto entre as próprias áreas, possibilitando maior flexibilidade, pontos de interesse e metas comuns no que diz respeito à construção do conhecimento pelo educando.

A atenção aos pontos de contato entre as diversas disciplinas de uma área ou das áreas entre si tem por objetivo promover uma prática interdisciplinar no currículo, tomando-o de forma orgânica, ou seja, superando-se a disposição artificial e fragmentada no trato dos objetos de estudo nas disciplinas através de ações favoráveis a articulação e integração dos conhecimentos. Isto, contudo, não significa a negação dos conteúdos disciplinares ou daqueles específicos de cada ciência, antes, implica na eleição e no tratamento de eixos articuladores comuns às diversas disciplinas e aos campos de conhecimento, enfatizando e explorando a intersecção que possuem entre si.

O sucesso do empreendimento interdisciplinar depende, portanto, da manutenção de um diálogo fecundo entre as matérias no que diz respeito aos temas considerados centrais pela comunidade escolar. Nenhum objeto de estudo pode ser compreendido em toda sua dimensão quando abordado de forma isolada. Sabemos, também, que o professor, mesmo que assistematicamente, ao ensinar determinado conteúdo, utiliza em seu discurso uma gama de informações colhidas em variados campos de saber. Se assim é, o ensino por área de conhecimento, longe de descaracterizar os objetos de estudo ou as disciplinas, vem implementar, integrar e sistematizar o ensino das disciplinas escolares. Por outro lado, a organização curricular em áreas não pode ser confundida com uma mera fusão de disciplinas. Seu foco está em reconhecer e observar que as demarcações e as fronteiras de cada ciência não são estanques. Assume, também, a existência de uma margem ampla de contato e de permeabilidade entre as disciplinas de maneira a favorecer cruzamentos de investigações conceituais, procedimentais, intercâmbios de temas, problemas e de metas pedagógicas.

A tentativa de se buscar pontos de intersecção entre as ciências e seus objetos de estudo, divididas tradicionalmente em disciplinas, move-se na busca por confluências teóricas e práticas que podem ser tratadas de forma interdisciplinar, seja do ponto de vista da investigação e construção do conhecimento, seja no que se refere à reflexão sobre seus resultados tecnológicos. Dessa forma, a interdisciplinaridade na organização curricular justifica-se duplamente: de um lado, a partir de seus aspectos epistemológicos - ao reunir objetos de estudo, paradigmas e problemas afins, favorecendo seu tratamento conjunto; e, de outro, pedagogicamente - por potencializar as condições para o ensino e para o aprendizado solicitados nas diversas disciplinas; bem como facilitar, através dessa integração, a discussão acerca da produção e utilização das tecnologias geradas a partir das ciências. A presença de todos estes fatores no processo de formação é imprescindível ao bom desenvolvimento pessoal e sócio-cultural dos alunos nessa etapa de formação.

Especificamente na área de Linguagens, as disciplinas compartilham objetos de estudos comuns (código, texto e leitura), que pode convergir para aquisição e o desenvolvimento da capacidade de produzir e interagir nas e pelas linguagens.

Os códigos são constituídos por signos e símbolos que possibilitam a manifestação interacional da linguagem. De acordo com Mato Grosso/Seduc:

Utilizar as linguagens é, portanto, interagir a partir de textos, intertextos e hipertextos produzidos por códigos, pois as linguagens se concretizam nesses produtos de manifestação significativa e articulada de uma história social e cultural, únicos em cada contexto. A partir dessa concepção exige-se, de todas as disciplinas da área, o reconhecimento do conceito de texto, em sentido amplo, como objeto de significação, leitura, interação, apreciação, expressão e fruição dos diversos elementos linguísticos, pictóricos, corporais, tecnológicos, sonoros, plásticos, gestuais e cênicos e não apenas aquele restrito à língua escrita ou à falada. (MATO GROSSO/SEDUC, 2010. p. 12)

O texto, portanto, é considerado objeto de interpretação que depende da produção de sentido para existir. Logo, a leitura, nessa perspectiva, se dá pela (re)significação, fruição, experimentação, apreciação, codificação e decodificação. Corroborando com esta afirmação, Mato Grosso/Seduc nos diz que:

Compreender a leitura, a partir desse olhar superador, tem implícito o reconhecimento da importância da leitura como vivência, que torna possível a construção de significados, a representação de mundo, o compartilhamento de informações, a expressão e a construção da identidade do processo de interação social que revela, a cada um, parte de si e do mundo numa relação dialética com a cultura, a história e a sociedade. (MATO GROSSO/SEDUC, 2010, p. 12)

Portanto, pensar um currículo dialógico interdisciplinar é considerar relevante as especificidades das disciplinas que compõem a área, sem, contudo, pensá-las estanques em cada disciplina, mas correlacionado-as por meio dos seus objetos comuns.

Para que os alunos alcancem os objetivos propostos nas áreas de conhecimento, a partir de problematizações de questões pertinentes ao cotidiano, propõem-se procedimentos metodológicos que possibilitem construir, reconstruir conhecimentos e desenvolver autonomia intelectual. A partir do domínio dos conceitos, conteúdos e métodos de sua disciplina, o professor terá facilidade em fazer as inter-relações com as demais disciplinas, o que corrobora a construção de práticas interdisciplinares. Na análise realizada nas disciplinas e na área, será possível ao aluno constituir uma síntese provisória, que será o ponto de partida para novos conhecimentos.

Para sistematizar estas intenções pedagógicas, o processo de ensino e aprendizagem se organiza em torno de eixos articuladores, sendo eles fundamentais para a concretização desse processo e que na prática precisam ser coordenados entre si. Os eixos são: Linguagens e processos de interação, representação, leitura e prática; Apropriação do sistema de representação das linguagens; e Formação sociocultural nas diferentes linguagens.

De acordo com Mato Grosso/Seduc:

Esses eixos articuladores, em cada área de Conhecimento, e entre elas tendem a ser discutidos e reorganizados/reelaborados ou adaptados de acordo com a realidade local, de modo a assegurar que os saberes contextualizados, problematizados e ampliados possibilitem o desenvolvimento das capacidades - cognitivas, procedimentais e atitudinais - pelos educandos, na interação com o conhecimento, com seus pares e com os educadores no processo de ensino aprendizagem. (MATO GROSSO/SEDUC, 2010, p. 8):

Falar em desenvolvimento da aprendizagem por capacidades, na perspectiva vygotskiana, é falar num termo amplo, mas que pode ser definido, segundo Mato Grosso/Seduc (2010, p. 8), como ações teórico-práticas que usamos para estabelecer relações com e entre sujeitos e os objetos do conhecimento (situações, fatos e fenômenos), por meio da linguagem. Sendo assim, as capacidades se referem ao conhecimento e aplicação de estratégias e técnicas apropriadas, relacionadas aos conhecimentos aprendidos, que o educando busca, em suas experiências anteriores, para analisar e resolver novos problemas.

Nesse sentido, para acompanhar o desenvolvimento dessas capacidades pelo educando é que precisamos dos descritores, que evidenciam a construção dessas capacidades do/no educando, que traduzem de certa forma o diagnóstico da realidade no decorrer do processo de desenvolvimento e aprendizagem.

As capacidades para os primeiros Ciclos são as Seguintes: Para o primeiro Ciclo: Reconhecer as linguagens como elementos integradores dos sistemas de comunicação; Ler, compreender e construir diferentes textos; Codificar e decodificar linguagens; Fazer uso social das diversas linguagens em diferentes situações de fruição e interação; Vivenciar as diversas práticas de linguagens; Compreender as manifestações das linguagens; Valorizar a diversidade manifestada nas diferentes linguagens. Para o segundo Ciclo: Fazer uso das linguagens como elementos integradores dos sistemas de comunicação; Ler, compreender e construir diferentes textos; Codificar e decodificar sistemas das diferentes linguagens; Fazer uso social das diversas linguagens em diferentes situações de fruição e interação. Re-significar as diversas práticas de linguagens; Compreender e valorizar a diversidade manifestada nas diferentes linguagens. Para o terceiro Ciclo Temos as seguintes capacidades: Compreender e utilizar as linguagens; Ler, compreender e construir diferentes textos, considerando as condições de produção, recepção e circulação. Codificar, decodificar e re-significar sistemas das diferentes linguagens; Fazer uso social das diversas linguagens em diferentes situações de fruição e interação; Vivenciar e re-significar as diversas práticas de linguagens; Compreender e valorizar a diversidade manifestada nas diferentes linguagens. Notamos assim que nas três fases do ciclo são as mesmas capacidades a serem desenvolvidas. O que irá mudar de uma fase para outra será o grau de dificuldades das atividades oferecidas. Com objetivo de introduzi-las, desenvolve-las e consolida-las.

É importante ressaltar que não existe método único de ensinar-aprender, independentemente da área de conhecimento ou disciplina. Há necessidade, portanto, do constante diálogo entre os professores da área, nos momentos de planejamento, acompanhamento e avaliação dos alunos e neste momento serão traçados os procedimentos utilizados para o alcance dos objetivos.

Os professores precisam ser criativos e perceptivos; devem saber adequar os métodos, alicerçados na forma como percebem que seus alunos aprendem. Devem assumir uma postura centrada na mediação dos processos de construção/reconstrução dos conhecimentos escolares por parte dos alunos, entendendo-se também como partícipes do processo educativo. De acordo com as especificidades de sua disciplina, os professores, a partir de então, serão capazes de criar ou recriar formas mais adequadas para estimular a produção/re-significação do saber.

Neste entendimento os estudos realizados no Centro de Formação pelo grupo de pesquisadores componentes do GEPLIA tem fortalecido e favorecido ações de atuação e implementação do trabalho por área de conhecimento nas escolas do Polo CEFAPRO/Sinop. Em consonância com os estudos do Grupo que aconteceram durante o último ano, foram realizadas nas escolas que solicitaram ações de planejamento de área esta ação por sua vez favoreceram a avaliação formativa proposta pelas Orientações Curriculares.

Mato Grosso/Seduc (2010) destacam que a Formação Humana e o Currículo Organizado por Ciclos de Formação Humana para a educação básica do estado de Mato Grosso tem servido de objeto de estudo e reflexão constante para os pesquisadores do Grupo GEPLIA e até o momento tem sido significativo o entendimento desta nova organização curricular por área de conhecimento, favorecendo não só a atuação dos professores formadores e pesquisadores do Grupo GEPLIA, mas principalmente tem possibilitado uma re-configuração do trabalho pedagógico desenvolvido pelas professoras formadoras junto as escolas do Polo CEFAPRO/SINOP.

Referências

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB Lei nº 9394/96.

MATO GROSSO/SEDUC. Orientações Curriculares: Concepções para Educação Básica. Cuiabá, 2010.

_________. Orientações Curriculares: Área de Linguagens: Educação Básica. Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso. Cuiabá, 2010.

________. Conselho Estadual de Educação. Resolução N. 262/CEE-MT, 2002.

FAZENDA, I. C. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. São Paulo: Loyola, 1993.

FREITAS, L. C. Ciclos, Seriação e avaliação: Confronto de Lógicas. São Paulo: Moderna 2003.

PARENTE, Cláudia da Mota Darós. A construção dos tempos escolares: possibilidades e alternativas plurais. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Campinas, 2006. 

PEREIRA, Sara C. G. Reflexões sobre a avaliação na escola organizada por ciclos de formação humana em Mato Grosso, 2009. Disponível em <http://www.seduc.mt.gov.br>. Acesso em: 09 fev. 2010.

LIMA, E. S. Indagações sobre currículo: currículo e desenvolvimento humano / [Elvira Souza Lima]; organização do documento Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.



1CEFAPRO: Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica do Estado de Mato Grosso.

2GEPLIA: Grupo de Estudos de Linguística Aplicada. Parceria UNEMAT/UNB/CEFAPRO.

3Princípio educativo dominante até a década de 80 voltado apenas para a educação em séries para fins industriais, e mercantilistas com foco apenas no crescimento econômico, cujos selecionados para esta organização seriam os de classes econômicas privilegiadas.